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Somos todos, apenas, diferentes! 

(Opção sexual e união entre pessoas do mesmo sexo)

 

Nomes trocados, história verdadeira. João amava Pedro que amava João, e eles viveram felizes para sempre, ao menos por 40 anos até morrer João. Tiveram que pedir à irmã de Pedro para adotar o menino que eles criaram, pois “naquela época” seria impossível a adoção por um casal de homossexuais. E o menino, tirado de um orfanato, cresceu se formou, se casou e já deu netinhos para Pedro, que ainda está vivo e com saudades de João. O menino adotado, podem acreditar, não se tornou um homossexual! Como já disse, casou e é pai! Conheço esta história bem de perto!  

É claro que eu sou a favor da legalização da união entre pessoas do mesmo sexo. Sou a favor, em primeiro lugar, porque eu sou a favor do respeito integral e irrestrito à liberdade de escolha; e em segundo, porque a Constituição Federal não proíbe expressamente esta união. O mundo não está melhor porque ainda não aprendemos a aceitar os que são diferentes de nós, os que pensam de modo diferente do nosso, os que têm uma religião diferente da nossa. Ainda não sabemos aceitar os diferentes e as diferenças! 

Já está demonstrado, até cientificamente, que não podemos condenar as relações homossexuais e o casamento gay com argumentos no sentido de que estas relações são intrinsecamente desordenadas, antinaturais e reprováveis. Não são! Ou, que estamos diante de pessoas doentes. Não estamos! Isto significa admitir que muitas pessoas são estruturalmente homossexuais, e que carregam esta condição por toda a vida. Ponto final! Não se trata, portanto, de algo que possa ser revertido ou curado, como acontece com uma doença. Nem a Organização Mundial de Saúde classifica o homossexualismo como doença, como já fez em um dia qualquer, em um passado nebuloso e não muito distante. Vamos esquecer desta ignomínia! 

Os homossexuais – ou homoafetivos, como preferem agora – tem que ser acolhidos com respeito e delicadeza como qualquer outra pessoa, e temos que evitar para com eles qualquer sinal de discriminação, que será sempre ilegal e injusta. Eles também não são criminosos! Houve um tempo em que a Igreja, mãe da Inquisição, prendeu e condenou os homossexuais usando do mesmo rigor com o qual combatia “heresias”, ou tudo o que não entendia, ou tudo o que a contrariava. Há pouco tempo, esta mesma igreja pediu desculpas por décadas de violências e intolerâncias em nome da fé! Matou, até, homens que ousavam dizer que a terra era redonda e que girava, contrariando a Bíblia que afirmava que o planeta estava firme e inabalável. A igreja católica tem muito do que se desculpar! 

A humanidade não é universalmente heterossexual, como sempre se imaginou. Aliás, sempre esteve muito, muito distante disto! Só que não víamos! Mas, posições como as da igreja, que ainda combate as relações homossexuais e o casamento gay, se for absurdamente repetida, favorecem a intolerância. Os homossexuais acusam a igreja de minar sua auto-estima, além de estimular o ódio social contra eles. É um retorno sutil à Inquisição! 

Não existem argumentos que possam explicar ou justificar qualquer posicionamento contrário à legalização da união entre pessoas do mesmo sexo: nem religiosos, nem legais. Os argumentos religiosos são facilmente derrubados diante de uma simples realidade: milhares não acreditam em Deus, e não podem ser punidos por isto. Além disto, não podemos mais aceitar a hipocrisia que ronda as opiniões religiosas, porque ainda são as religiões as grandes fornecedoras de fanáticos, de assassinos e de criminosos, e basta olhar para confirmar: olhar para os aviões torpedos que atingem edifícios; para os padres pedófilos que violam a inocência de milhares de crianças em todo o mundo, e que depois se escondem em templos ricos e maravilhosos; e para todos os outros episódios de violências que envolvem fanáticos religiosos por todo o mundo, e de várias religiões. Jamais aceitarei argumentos religiosos contra a legalização da união entre indivíduos do mesmo sexo! 

Quanto às leis, com o máximo respeito de todos os que pensam ao contrário, se prestarmos mais atenção à nossa Constituição Federal, veremos que esta determina que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, artigo 5º. Logo, é o próprio homem que viola a Lei Maior para proibir o que ele não pode proibir, atendendo à hipocrisia das manifestações preconceituosas que ainda assolam os nossos três poderes, principalmente o legislativo. É puro preconceito, inaceitável e ilegal, covarde e inexplicável. É uma obediência cega e intolerante a dogmas religiosos. Esta mesma Constituição afirma que um de seus objetivos fundamentais é a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, ou quaisquer outras formas de discriminação, artigo 3º, IV. Logo, qualquer lei que pretenda impedir esta liberdade de escolha, de se escolher com quem se quer viver, é uma lei preconceituosa fadada a desrespeitar os direitos humanos fundamentais.   

Trata-se, indiscutivelmente, de uma questão de se aceitar o outro como ele é, e de não rejeitá-lo apenas porque ele é diferente. Ele é negro, mas pode ser melhor do que eu e do que você! Ele é homossexual, mas pode ser melhor do que eu e do que você! Ele é muçulmano, mas pode ser melhor do que eu e do que você! Ele é apenas diferente, e ser diferente é normal! O ser humano não tem que ser isto ou aquilo, ou acreditar nisto ou naquilo, apenas porque alguns hipócritas ainda acham que é melhor ser assim, ou que é certo ser assim. Não dá mais para aceitar tanta discriminação e tanta hipocrisia! Por exemplo, se as religiões se aceitassem não haveria tanto conflito com vítimas fatais ainda hoje em nosso Planeta. E são as mesmas religiões que pregam a paz e o amor! 

Caso os nossos poderes legislativo e judiciário se inclinem para a prevalência dos direitos humanos fundamentais, com certeza não mais adiarão a legalização da união entre homossexuais, pois cada ser humano tem o seu direito de escolha: a escolha de quem se quer amar, de com quem se quer viver. Ainda nos últimos carnavais, eu vi centenas de “homens” vestidos de mulher brincando nas praias, se beijando e se abraçando, às vezes se excedendo nos carinhos! Há apenas homens, talvez em sua maioria heterossexuais, mas também há aqueles que se aproveitam destes dias para fazer o que reprimiram durante o ano todo. Mas, se você os entrevistar nas ruas eles vão dizer, com voz grossa e com cara de mau, que união entre homens “é coisa de boiola”!  

Por isto, tudo não passa de uma questão de abandonar a hipocrisia e de passar à “aceitação”: de aceitar o diferente como ele é, até porque para ele eu também sou diferente. E quando houver esta “aceitação” ampla em nosso planeta quanto à origem, raça, sexo, cor e religião do meu semelhante, com certeza não veremos mais tanta violência, tanta intolerância e tanta discriminação. 

E quanto à família, hoje todos nós já temos certeza de que ela não se forma, apenas, a partir da união de um homem com uma mulher, mas sim da união de duas pessoas que se amam e se respeitam, como Pedro e João, que foram felizes por 40 anos e que fizeram seu filho feliz. Hoje em dia, milhares de uniões entre homens e mulheres já não alcançam mais a felicidade, nem conseguem mais ter filhos felizes! O casamento dito “perfeito” entre homem e mulher não é (nunca foi) sinônimo de amor e de felicidade. É melhor que cada um faça a sua escolha. Então, basta aceitar e respeitar as diferenças, que nada mais é do que respeitar o direito fundamental de livre escolha. Somos todos, apenas, diferentes! E a lei não pode mais fugir disto!

Wanderley Rebello Filho –

Advogado e Presidente da Sociedade Brasileira de Vitimologia

 

 

 

 

 Esclarecimentos sobre a "Lei 7672/10" -  “Lei da Palmada”

 

O Projeto de Lei 7672/10 que tramita no Congresso, e que estabelece o direito da criança e do adolescente de ser educado e cuidado sem o uso de qualquer forma de violência, castigo cruel ou humilhante, já foi aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Encontra-se, atualmente, na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, e seguirá em breve para o Senado. 

 Tenho visto muitos jornalistas e profissionais do Direito combatendo, com muita veemência, a referida lei, e lamento que as pessoas não busquem se informar adequadamente sobre o tema.

Concordo que é livre a expressão de pensamentos e convicções, mas o tema requer um pouco mais de responsabilidade ao ser tratado. Emitir opinião baseada apenas no senso comum em nada enriquece o debate, e não esclarece. Ao contrário, cria a falsa sensação de que existe uma verdade inexorável, quando na realidade não há. 

A verdade é que a “Lei da Palmada” não traz uma criminalização de conduta. O crime sempre existiu, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e no próprio Código Penal, já que não existe permissão legal para o uso da violência física contra qualquer pessoa. O escopo da lei é, tão somente, esclarecer o grau da conduta a ser repreendida, e as penas previstas não são de prisão conforme fazem parecer, mas variam de acordo com o grau da violência praticada, partindo de acompanhamento multidisciplinar para os pais, responsáveis e cuidadores, até a destituição do poder-familiar previsto no ECA.  A pena de prisão só se aplica aos casos de tortura e de maus-tratos. 

Atualmente, já se reconhece que é uma covardia bater em um idoso ou em uma mulher, e mesmo assim foi necessária a edição de leis protetivas para que seus direitos fossem respeitados. Por que as crianças, que não podem se defender, não haveriam de merecer tal proteção do Estado? 

Não há, portanto, qualquer inconstitucionalidade, menos ainda excessiva ingerência estatal no ambiente familiar, uma vez que é dever constitucional do Estado dar especial proteção aos interesses das crianças.  

A “Lei da Palmada” visa apenas desconstruir a falsa ideia de que no exercício do poder familiar podemos tudo! É uma lei muito mais educativa do que punitiva. Poder-se-ia dizê-la desnecessária se fossemos capazes de aprender de outro modo, assim como seriam desnecessárias a Lei Maria da Penha e o Estatuto do Idoso, mas no Brasil infelizmente não é assim. 

 É dever dos pais buscar alternativas não violentas para educar seus filhos; é dever dos pais proteger e amar seus filhos com responsabilidade e afeto, obtendo destes o respeito pelo uso da autoridade e não da força. 

O uso da força demonstra autoritarismo, e só ensina aos filhos que é através da força que se resolvem os problemas. E este será o comportamento que ele reproduzirá na sociedade, das formas mais variadas. O “bulling” e o “assédio moral” no trabalho são grandes exemplos da repercussão social de uma educação baseada na imposição da força do mais forte contra o mais fraco. 

Os castigos físicos sempre existiram, e chegamos ao grau de violência social que estamos vendo agora. Como podemos viver numa sociedade de paz quando, no cerne da educação dos nossos filhos, está a violência? Devemos  repensar, ou então teremos que nos “chocar” diante da TV toda vez que Isabellas e Joanas forem mortas por seus pais ou cuidadores, ou quando virmos um menor assassino arrastar uma criança por quilômetros presa a um carro; ou, ainda, quando um psicopata invadir a escola dos nossos filhos e matá-los, ou pior, quando o assassino é o nosso próprio filho, pois ninguém está livre disso, e a origem destes males é uma só: a violência! E neste ponto, todos temos o nosso telhado de vidro! 

Luana De Deus Temperine 

Outubro de 2013

   

 

Neste Natal, vamos todos dar livros depresente!

 

Outro dia recebi uma mensagem de socorro pelo WhatsApp de um dono de livraria, pedindo para que comprássemos livros para que ele não fosse à falência. Uma livraria que eu frequentava lá perto do meu escritório no Centro do Rio já fechou as portas. Foi lá onde eu adquiri minha coleção quase completa de Eduardo Galeano, e livros de Judith Viorst, Augusto Cury, André Comte-Sponville, entre outros. Fecham as portas grandes e pequenas livrarias, e no lugar delas deverão surgir bancos e drogarias, bancos para extorquirem o nosso dinheiro, e drogarias para comprarmos remédios para a cura das nossas doenças psicossomáticas e ansiedades sem fim, muitas adquiridas por falta de paz e de leitura. 

Na livraria, casa dos sonhos e das palavras, quando entramos logo vemos os livros se oferecendo para nós. Eles nos "procuram" com seus vários tamanhos, com suas capas colorias, com os seus apelos, com suas mensagens e com as suas histórias. Lá buscamos viajar, sonhar e aprender, tudo junto e misturado. Muitas vezes me pego sentado em uma poltrona escutando música e lendo, lá no meu distante refúgio verde, sempre ao lado de minha amiga de quatro patas Babalu, e fico tentando não pensar no que um futuro sem livros reserva às nossas crianças e adolescentes. Fico espantando pensamentos e tristezas mas não adianta,  porque vejo crianças nascendo e crescendo ao meu redor, e eu já as amo tanto que logo me preocupo ainda mais. Quando uma criança vem para o meu lado e fica em silêncio, e começa a mexer em um telefone celular, minha mente já cansada e atônita de imediato viaja, e me faz me imaginar entrando na "minha" livraria que se foi para passear entre fantasmas de pessoas e livros. Celulares, computadores e nossa indiferença condenaram os livros a se afastarem de nós, as livrarias a fecharem as portas, e os nossos sonhos a irem buscar alento nas telas frias de equipamentos eletrônicos.    

Parece-me que os livros vão sumir mesmo, e que as próximas gerações estão condenadas ao quase silêncio, e a ficar sentadas curvadas e olhando para a tela hipnotizante de um telefone celular. Um dia, olhando para a noite e para as estrelas, de repente vi uma delas cair e fiz um pedido: 

- Muda Senhor! 

Babalu ouviu, me olhou, baixou as orelhas, beijou o meu braço e sussurrou no meu ouvido: 

- Não dá mais! 

(Neste Natal, vamos todos dar livros de presente!)    

Wanderley Rebello Filho – 

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.

  

Sobre o dia 10 de dezembro de 2018:

Hoje é o dia do aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas não temos o que comemorar, pois muitos ainda pensam que direitos humanos só servem a bandidos. Cansei de tentar explicar que não é isto! Talvez a área mais nobre do direito seja a mais odiada pelo povo, sem que isto faça o menor sentido.

Os direitos humanos são feitos de sangue, suor e lágrimas. São feitos de guerras e revoluções que buscam a igualdade de todos perante as leis. Abram a Constituição no artigo quinto e vocês verão mais de setenta de seus direitos e garantias fundamentais; e no artigo sexto vocês verão os seus direitos sociais (educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados), entre outros direitos espalhados em outros artigos de nossa Constituição Federal.

Os direitos humanos nasceram de jovens esquartejados, mulheres assassinadas, judeus dizimados, negros discriminados, religiosos queimados e crianças esquecidas. E a Declaração Universal dos Direitos Humanos nasceu depois da segunda guerra mundial, quando mais de 50 milhões de pessoas perderam suas vidas. Os direitos humanos nasceram depois de vários séculos de muito sofrimento e dor, e hoje, quando conseguimos garantir alguns direitos humanos fundamentais a algumas pessoas, apagamos apenas um minuto da história de terror que vem sendo escrita desde sempre pela humanidade.

Wanderley Rebello Filho –

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.

 

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.Conselheiro da OAB/RJ.Primeiras palavras para 2019

 

Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada! Na segunda noite já não se escondem, pisam as flores e matam o nosso cão. E não dizemos nada! Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo,arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada antes, já não podemos dizer mais nada!

(Maiakovski, início do Século XX)

*

Um dia eles vieram e levaram o meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei! No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram um vizinho católico.Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar!

(Martin Niemöller, 1933)

*

Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isto. Não era negro! Em seguida levaram alguns operários. Mas,o me importei com isto. Eu também não era operário! Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isto porque eu não era miserável. Depois agarraram uns desempregados mas,como eu tinha o meu emprego, também não me importei. Agora estão me levando, mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.

(Bertold Brecht, 1956)

*

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima. Depois eles incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles. Depois eles fecharam as ruas onde não moro; e fecharam o portão da favela que não habito. Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...

(Cláudio Humberto, 2007)

*

Primeiro Maiakovski silenciou, e eles pisaram nas flores de seu jardim e depois colheram as que sobraram; e depois eles mataram o seu cão e roubaram a sua lua. E sabendo que ele estava com medo, eles arrancaram a sua voz da garganta. E ele nunca disse nada! Depois Martin Niemöller viu levarem o seu vizinho que era judeu, e como ele não era judeu não se incomodou. Depois levaram o vizinho comunista, depois o católico, e como ele não era nem comunista, nem católico, ele não se incomodou. Quando o levaram, não tinha a quem reclamar!

Depois Bertold Brecht viu levarem os negros, mas como não era negro, não se importou.

Depois levaram os operários, depois os miseráveis, depois os desempregados... e depois vieram para levá-lo. Como ele não se importou com ninguém, ninguém se importou com ele.

Depois Cláudio Humberto os viu roubando nos sinais, incendiando os ônibus, fechando ruas e portões de favelas, e depois os viu arrastando uma criança até a morte; mas... como ele não foi roubado no sinal, como ele não estava no ônibus incendiado, como não foi a sua rua a que foi fechada, como ele não morava na favela, e como a criança arrastada não era seu filho, ele apenas escreveu sobre tudo isto.

E porque nenhum deles falou, nem gritou, nem reclamou; e porque nenhum deles impediu que levassem os inocentes; e porque todos eles apenas escreveram sobre o que viram e, salvo engano, nada fizeram senão escrever... foi por isso, também, que tudo acima aconteceu e continua a acontecer...

Será que eu vou cometer os mesmos erros?

(Wanderley Rebello Filho, 2009)

 

 

A tragédia de Brumadinho

 

A tragédia de Brumadinho nos assombra, e nos revela que neste País ainda não temos nada: não temos saúde, nem educação, nem segurança, nem respeito, nem dignidade. Mas temos muita, muita ganância e corrupção, estas de sobra. As destruições, devastações e mortes decorrentes de uma política desinteressada e afastada das preocupações sociais, e indiferente ao bem-estar e à segurança do povo, assumiu proporções fantásticas nos casos da Samarco em Mariana, e da Vale em Brumadinho. Samarco e Vale, tudo a mesma merda! As dimensões destas catástrofes revelam a aberração da enorme impunidade que joga o nosso País “na lama” das injustiças, da vileza, da tirania e das desgraças sem fim. E os responsáveis não pagam multas, e ainda fazem acordos espúrios na justiça, enquanto as vítimas sofrem e esperam, e esperam e sofrem. Nossa “justiça” é subserviente aos ricos e poderosos, e principalmente a estas empresas ainda mais ricas e poderosas: vimos muito disto nos últimos anos! Em breve os heróis que se preocupam com a vida, e se afundam na lama, vão se arriscar para encontrar outros corpos! E os bandidos responsáveis pelos crimes ambientais e de homicídio, que vivem na lama, incluídos aqui empresários abjetos e autoridades vendidas (de todos os poderes), vão viajar, no carnaval, para usarem um pouco do dinheiro do povo que eles roubam e matam, por ação e por omissão. Muita indignação e muito nojo!

Wanderley Rebello Filho –

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.

 

 

 

Ainda Brumadinho

 

Dalai Lama nos ensinou que “nós somos a única espécie com poder de destruir a Terra, e que também somos a única capaz de protegê-la”.

Técnica e legalmente falando, tinham que estar presos todos os que concordaram com a construção das barragens com alteamento à montante, casos de Mariana e de Brumadinho, e todas as autoridades do poder público que deram licença para as referidas construções. Simples assim! Com a palavra o MP!

A Vale e a Samarco, e seus presidentes, diretores e gerentes, nós já sabemos que estão do lado da destruição, e milhares de políticos e de autoridades do poder público também!

Os programas de televisão que eu tenho visto só apelam para o sensacionalismo e o excesso de emoção, e deixam de lado a verdade abjeta, nua e crua, que envolve centenas de autoridades e de políticos vendidos, e as dezenas de empresas de ricos e poderosos que os compram! Não vejo seus apresentadores entrevistando estes bandidos!

De que lado os produtores destes programas estão?

Wanderley Rebello Filho –

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.

 

 

Brumadinho, final

 

O céu ainda fica azul em Brumadinho, mas sob ele há um mar de lama, de corrupção, de indiferença, de “que se dane” as espécies humana e não humana. Os pássaros em Brumadinho só choram, os cães só uivam, e os homens de bem procuram quem a ganância “escondeu” sem vida sob o mar de lama. Que nojo que teu tenho do criminoso que realiza construção criminosa, e do criminoso que autoriza construção criminosa, sempre por dinheiro. Tinham que estar presos todos os que participaram da construção das barragens com alteamento à montante, casos de Mariana e de Brumadinho, e todas as autoridades que outorgaram licenças para as referidas construções.

“Deus disse: “ama o teu próximo”. Mas só quem entendeu foi o cachorro!”

Wanderley Rebello Filho –

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.

 

 

Lama em Brumadinho, águas no Rio e fogo no Ninho do Urubu!

 

2019 me assusta! Lama, água e fogo, todos matando. Estou chocado! Extraio deste início de ano uma reflexão para a minha própria vida. As cenas são muito tristes, mas nelas posso ver muitas outras coisas além dos momentos comoventes e das mortes prematuras.

Chamam a minha atenção a ganância, a indiferença do poder público e a negligência que envolvem os fatos lamentáveis. E eu não tenho um Deus dogmático, nem uma fé escrita, nem nada em que possa me agarrar para espantar a indignação e a dor que me afligem. Eu tenho apenas um coração já sofrido e um pouco mais de vida para viver, sem qualquer apoio celestial que me conforte e alivie.

Aprendi recentemente que rezar é bom, embora não o faça, mas que lutar é preciso! A indignação e a dor permanentes se alimentam apenas dos que se entregam, mas nada podem contra aqueles que têm vontade de lutar contra as injustiças, as más ações e as omissões.

Alerto com este texto todos os que só tiram proveito da vida, mas que não fazem nada; e alerto todos os que só rezam pelas vítimas, mas que também não fazem nada, e lhes dou um aviso: sem luta feroz contra as injustiças, contra as desigualdades e contra a corrupção, um dia a lama, a água e o fogo também vão te pegar!

Em tempo: dá nojo quando jornalistas e repórteres, no meio da desgraça, fazem questão de ressaltar que esta ou aquela notícia está sendo dada com "exclusividade". Mesmo com adolescentes mortos pelas chamas e com gente enterrada na lama, eles se preocupam em "disputar exclusividade" com jornalistas e repórteres de outras emissoras. Acho que estes não estão nem aí pra ninguém, que é só pela notícia mesmo! Quem sabe ele(a) não ganha um prêmio!

Wanderley Rebello Filho –

Advogado e Conselheiro da OAB/RJ.

 

Dia Nacional dos Animais

  

Quatorze de março é Dia Nacional dos Animais, que é comemorado para celebrar a importância que os Animais têm na vida dos seres humanos do nosso País! Mas, não temos nada para comemorar, pois ainda “temperamos o nosso pão no sangue dos animais”, e ainda existem milhares de matadouros espalhados por aqui, alguns disfarçados de circos, rodeios, rinhas, e até de “abrigos”. Sem falar na violência contra os animais que ainda magoa os nossos olhos diariamente.

Dedico este dia aos meus “filhos não humanos” Babalu, Simba, Nala e Marlei, que latem, e Xaolim, Mifu e Preta, que miam. E a todos os animais do planeta! Eles não têm voz, mas terão sempre o amor, o respeito e a proteção dos que os querem bem.